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  31/07/2020 | 08h57     Atualizado em 31/07/2020 | 09h01

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Novo livro de Véra Stedile Zattera resgata um século da moda citadina de Caxias do Sul

"Vestindo Moda" será distribuído gratuitamente para bibliotecas públicas e universitárias

Ana Salvi
Ana Salvi

Após mapear os trajes dos imigrantes italianos, em Trajes do Imigrante Italiano (1991), a vestimenta típica de Festa da Uva em Figurinos da Vindima (2011) e os usos gauchescos em Gaúcho: Indumentária & Prataria (2015), o novo livro de Véra Stedile Zattera resgata o modo de se vestir dos primeiros 100 anos de Caxias do Sul. Ricamente ilustrado com fotos e croquis, Vestindo Moda é um desdobramento dos estudos que a pesquisadora caxiense desenvolve desde os anos 1980.

 

Em 482 páginas, o livro conta a história das costureiras caseiras que confeccionavam as roupas da própria família e das modistas profissionais que se espelhavam em catálogos estrangeiros para a modelagem de peças. "Até a década de 1920, nós vestíamos os trajes tradicionais dos imigrantes, feitos em casa, praticamente sem interferências externas. A partir dos anos 1930, começam a chegar por aqui catálogos, que vinham do Uruguai e da Argentina, e que serviam como base para as costureiras", explica a autora.

 

A transformação no modo de se vestir dos moradores de Caxias do Sul coincide com a mudança no perfil econômico da cidade. Afinal, foi com a chegada do trem, em junho de 1910, que a região começou a se industrializar e, consequentemente, a importar costumes citadinos.

 

Ao relembrar os catálogos e revistas de moda, Véra homenageia o artista e criador de moda caxiense Darwin Gazzana e as já consolidadas costureiras locais como Corina Frigeri Wainstein, Lola Salles, Marta De Carli Fichtner (radicada em Porto Alegre), Ilse Adami, Ilda Lucena, Santa Camassola e Irany Segatto. Homenageia, também, várias personalidades de Caxias do Sul e o estilista Rui Spohr, nascido em Novo Hamburgo e que fez história em Porto Alegre, que vestiram a moda no período estudado.

 

"Os catálogos da década de 1940 abrangiam roupas, calçados, acessórios, além de móveis, objetos de decoração, de caça e pesca. As revistas de moda, que aparecem a partir dos anos 1950, mostram a moda vigente nos Estados Unidos e na Europa. No final do livro, inclusive, reproduzi algumas páginas de um catálogo que era da minha sogra Augusta, e também as revistas de minha mãe Amábile Zanandrea Stedile. Até meus 15 anos, era ela quem costurava os meus vestidos e os da minha irmã", recorda.

 

A primeira edição de Vestindo Moda será distribuída para bibliotecas públicas e escolares de Caxias do Sul, além de ficar disponível para consulta no Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami. O livro também será enviado para algumas coleções de estudiosos brasileiros e italianos.

 

Sobre a autora

Véra Stedile Zattera é especialista em indumentária. Foi professora e pesquisadora da Universidade de Caxias do Sul de 1969 a 2019, atuando como assessora de projetos culturais e participando de conferências no Brasil e no exterior.

 

Autora de uma extensa pesquisa sobre as vestimentas, já publicou mais de 20 livros sobre usos e costumes gaúchos, dos imigrantes italianos, adereços indígenas e figurinos tradicionais de vindima. Nesse momento, volta-se para a moda vestida em Caxias do Sul.

 

Em 2006, a pesquisadora doou para a UCS um acervo com 250 manequins vestidos com trajes gaúchos, da imigração italiana, da Festa da Uva e da moda urbana de Caxias do Sul.  A coleção conta com documentos e objetos raros, como um lenço farroupilha original e três obras de Aldo Locatelli.

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